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História

A pílula anticoncepcional foi criada na década de 1960, nos Estados Unidos, para dar liberdade às mulheres. Um grupo de profissionais tinha um propósito em comum:  encontrar um método científico de controle da natalidade que permitisse à mulher fazer sexo sem necessariamente engravidar. A enfermeira e ativista Margaret Sanger liderou a iniciativa. Juntaram-se a ela o cientista Gregory Pincus, o ginecologista John Rock e a bióloga Katharine McCormick, que movida pela causa feminista financiou com a fortuna pessoal as pesquisas para criar o sonhado medicamento.
Após anos de trabalho, resistência às pressões morais e polêmicas sociais, a pílula anticoncepcional foi aprovada em 1953 pela agência reguladora norte-americana, FDA (Food and Drug Administration).  Anos mais tarde passou a ser legalmente comercializada.
Batizada como mãe da revolução sexual, a pílula marcou definitivamente a trajetória feminina na luta pelos seus direitos. Ao longo das últimas décadas, a comunidade científica e a indústria farmacêutica vêm investindo no aprimoramento do medicamento com o objetivo de aumentar a eficácia e reduzir os efeitos colaterais.

Hormônios

A pílula anticoncepcional é composta por dois hormônios: progestagênio, que impede a ovulação; e o estrogênio, cuja função é controlar o ciclo menstrual e potencializar o efeito anticoncepcional do progestagênio.

Desde seu surgimento, a pílula já teve vários avanços científicos e destacam-se quatro mudanças fundamentais na evolução da pílula. 

  1. Redução das doses hormonais
  2. Surgimento de novos progestagênios 
  3. Novos regimes de administração, ou seja, da forma como a pílula é tomada.
  4. Introdução do estradiol (hormônio bioidêntico, ou seja, estrogênio igual ao produzido pelos ovários).
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Pílula Anticoncepcional

O contraceptivo oral combinado (COC), chamado de pílula, contém a combinação de dois hormônios, geralmente um estrogênio e um progestagênio sintéticos, que impedem a ovulação, modificam o muco cervical e tornam o endométrio inadequado para a implantação do embrião. A escolha da pílula deve ser indicada pelo ginecologista, pois só após uma análise minuciosa do histórico da paciente é possível indicar qual é a mais adequada ao organismo de cada mulher. A comunidade médica e científica afirma que “não existe a melhor pílula”, existe a “pílula mais adequada para cada mulher”

Posologia
Ingerir um comprimido ao dia durante 21, 24 ou 28 dias.  O tratamento pode ser feito com pausa de 7 ou 4 dias ou de forma contínua de acordo com o tipo da pílula e da indicação médica.

Indicação e eficácia
Tem eficácia de 99%. Com a evolução das pílulas, o método passou a ser utilizado também no tratamento de sintomas e patologias como cólicas menstruais, sangramentos irregulares, TPM, endometriose, síndrome dos ovários policísticos, acne, aumento de pelos.  Estudos científicos indicam que a pílula anticoncepcional pode reduzir a incidência de câncer de ovário e de endométrio, doença benigna da mama, desenvolvimento de cistos ovarianos, artrite reumatoide, doença inflamatória pélvica (DIP), anemia por deficiência de ferro.
 
Contraindicações
São contraindicadas para mulheres fumantes com 35 anos ou mais, hipertensas, com histórico familiar de trombose e outras doenças cardiovasculares.  O uso das pílulas pode aumentar o risco de complicações vasculares como trombose venosa profunda (TVP), embolia pulmonar, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). 

TIPOS DE PÍLULA

Dúvidas frequentes sobre a pílula

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Entenda a relação entre a pílula e o tromboembolismo venoso (TEV)

O tromboembolismo venoso é uma complicação rara, relacionada a diferentes situações clínicas e ao uso de pílulas anticoncepcionais.

O que é trombose?
Tromboembolismo Venoso é a formação de um coágulo de sangue (trombo) dentro de uma veia que causa obstrução e interrupção do fluxo de sangue em determinada parte do corpo.  Uma das formas mais comuns de trombose é quando o trombo de sangue se forma nas veias profundas das pernas, o que chamamos de Trombose Venosa Profunda (TVP). O trombo pode soltar-se e migrar para outras áreas do corpo, como por exemplo para os pulmões, originando o Tromboembolismo Pulmonar (TEP). Outros locais podem ser acometidos pelos trombos, como a retina, os membros superiores e o cérebro.

Como as pílulas anticoncepcionais interferem no risco de trombose?
Os hormônios sexuais produzidos pelo organismo ou aqueles administrados para anticoncepção ou terapia hormonal da menopausa levam a alterações no sistema de coagulação do sangue (hemostasia). A maioria das pílulas anticoncepcionais é composta por dois hormônios, um deles é um estrogênio sintético representado pelo etinilestradiol ou estradiol; e o outro componente é um progestagênio, grupo bem mais variado de hormônios, que foram desenvolvidos e aprimorados ao longo do tempo. 
O estrogênio contido na formulação das pílulas anticoncepcionais pode atuar no fígado estimulando a formação de fatores de coagulação e consequentemente a formação de trombos. Vale destacar que todos os métodos anticoncepcionais hormonais que contêm estrogênio (pílula, anel, adesivo, injeção mensal) podem aumentar o risco de trombose nas mulheres suscetíveis.

O risco de trombose é igual para todas as pílulas anticoncepcionais?
Conforme mencionado anteriormente, o estrogênio é o principal responsável pelo aumento dos fatores de coagulação e, portanto, quanto maior a dose deste hormônio, maior é o risco de desenvolver trombose. A maioria das pílulas atuais anticoncepcionais apresenta baixa concentração de estrogênio, são as chamadas pílulas de baixa dose hormonal. Nos últimos anos, alguns estudos indicaram que as pílulas mais atuais, com progestagênios de terceira e quarta geração, teriam maior efeito na coagulação em comparação às pílulas mais antigas de segunda geração. Entretanto, além da diferença de risco de trombose entre os diferentes tipos de pílula ser mínima, com pouco impacto clínico e biológico, esta é uma questão que ainda não está totalmente esclarecida. Estudos futuros são necessários para determinar se o risco de trombose associado com o uso das pílulas mais modernas determina maior risco de trombose em comparação às pílulas mais antigas.

Quais são os fatores de risco para trombose?
Não só os anticoncepcionais hormonais e os medicamentos usados para a terapia hormonal da menopausa aumentam o risco do desenvolvimento da trombose. Outros fatores importantes devem ser lembrados, como: idade acima de 35 anos, obesidade, períodos prolongados de imobilização (cirurgias, acidentes, viagens aéreas), tabagismo, câncer, histórico familiar de trombose, gestação e puerpério imediato (período pós-parto até 45 dias), além dos distúrbios genéticos da coagulação (trombofilias).


 
Qual é o real aumento do risco de uma mulher desenvolver trombose?
Para se ter uma ideia da dimensão do risco de trombose nas diferentes situações, nas usuárias pílulas anticoncepcionais o aumento do risco de trombose em comparação ao risco de não usuárias é 2 vezes maior, sendo esse risco mais evidente no primeiro ano de uso e concentrado em pacientes acima do peso e com idade mais avançada. Isto equivale dizer que o risco absoluto de trombose em usuárias de qualquer tipo de pílula é menos de 1 para 1.000 usuárias-ano. Por outro lado, na gravidez e no período pós-parto o risco é de cerca de 15 a 30 vezes maior em comparação ao risco de não usuárias, ou seja, muito maior que o risco atribuído ao uso de pílula anticoncepcional. Na mulher obesa com menos de 30 anos, o risco pode aumentar 19 vezes, e na mulher obesa com mais de 30 anos o risco aumenta até 51 vezes.

Qual o efeito das pílulas no tromboembolismo arterial?
No tromboembolismo arterial, condição representada pelo infarto do miocárdio e derrame cerebral ou AVC, a obstrução ocorre no vaso arterial (vasos que levam sangue oxigenado com nutrientes para os órgãos). A obstrução do vaso arterial é decorrente da formação de uma placa de gordura na parede da artéria. As causas e os fatores de risco do tromboembolismo arterial são diferentes dos fatores de risco do tromboembolismo venoso. Fatores de risco como hipertensão arterial, diabetes, colesterol elevado, obesidade, sedentarismo e tabagismo representam as principais condições para o desenvolvimento do tromboembolismo arterial. Estudos científicos atuais mostram que não há aumento significante no risco de infarto ou derrame em mulheres saudáveis e não fumantes usuárias de pílulas anticoncepcionais, mesmo quando consideramos a idade da paciente. Essa evidência vale para qualquer tipo de pílula anticoncepcional de baixa dose hormonal.

Como escolher o método anticoncepcional mais adequado?
Na indicação de qualquer método anticoncepcional, você e seu médico devem considerar não apenas a eficácia contraceptiva do método, mas também os benefícios extra contraceptivos, mediante as suas necessidades individuais. É importante que o médico, antes de indicar qualquer método anticoncepcional, leve em conta uma cuidadosa avaliação dos fatores de risco de trombose (como problemas de saúde, obesidade e histórico familiar).  Ou seja, temos que ter em mente que não existe “o melhor anticoncepcional”, existe “o mais adequado” para cada mulher e que essa decisão sempre deve considerar inúmeras variáveis, incluindo preferências, benefícios, riscos e contraindicações de cada método.

De acordo com o guia TROMBOEMBOLISMO VENOSO E CONTRACEPTIVOS HORMONAIS COMBINADOS, publicado pela FEBRASGO no final de 2016, “os anticoncepcionais orais modernos oferecem contracepção altamente eficaz, além de benefícios não-contraceptivos bem estabelecidos. O tromboembolismo venoso, embora raro, representa um dos eventos adversos sérios da contracepção hormonal. Estudos indicam que o tromboembolismo venoso em não-usuárias em idade reprodutiva atinge 4-5 mulheres/10.000 mulheres por ano, já com o uso de contraceptivos orais a taxa aumenta para 9-10/10.000 mulheres por ano. Comparativamente, as taxas de tromboembolismo venosos na gravidez aproxima-se de 29/10.000 no total e podem atingir 300-400/10.000 no puerpério imediato.

RISCOS POR PERFIL DE MULHERES

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